sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Maluco Beleza





A noite com sons do maluco beleza me deixou maluco beleza. Entender o seu caso tem sido um verdadeiro desafio pra mim, mesmo com a bagagem de casos parecidos, o que só me escancara a verdadeira singularidade de cada caso. Cada caso é um caso. Teria sido um caso? E se caso fosse um caso?


Nada é por acaso, e essa certeza faz com que nos deparemos com adversidades dos diversos tipos. Situações embaraçosas, muitas vezes incompreensíveis. Muitas vezes também, ouvimos palavras desagradáveis, nos decepcionamos com o que menos esperamos. Devo admitir que fui e estou sendo posto à prova. Assim, de repente, sem nenhuma explicação ou mesmo um processo circunstancial gradativo, que pudesse culminar no que é hoje.


Nos posicionarmos de modo que estejamos sempre preparados para as situações deste mundo de provas e expiações talvez seja o mais correto, circunstancialmente falando. Mas por que passar por tudo isso se temos o lívre-arbítrio e, indo mais além, o conhecimento das verdades eternas? Engana-se aquele que credita a segurança e tranquilidade sobre as adversidades ao simples fato de deter um arsenal de saídas para o problema. É preciso muito mais do que isso.


"The clothesline of cold eyes is washing away the face before
Now tell me what's wrong, you see everyone's gone. You gotta do your best to decorate this dying' day." 
(Shannon Hoon na música "Soup", Blind Melon)


Se engana quem acha que a alegria de viver vem principalmente das relações humanas. Deus colocou-a a nosso redor. Está em tudo que possamos experimentar. As pessoas apenas precisam mudar a maneira como olham para essas coisas. É impressionante como os seres humanos conseguem se machucar uns aos outros. E como é difícil perdoar algumas coisas que consideramos mais profundas. Contudo, tudo isso se torna minúsculo diante de momentos cruciais da nossa existência.



Lembrem-se: O importante não é ser forte, mas se sentir forte.




Vídeo com belas imagens do show da banda Cachorro Urubu, no 10º Tributo a Raul Seixas realizado no último sábado (20/08). Inesquecível.


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Pearl Jam: O impossível mais possível


 
"On this trip he's taken for a ride
He's been taking too much on
There he goes with his perfectly unkept clothes
There he goes... [...]"



      E aí vou eu. Sem eira nem beira. Impecavelmente descuidado numa viagem a passeio.

     Nunca fui muito de alimentar sonhos impossíveis tão somente pra inflar o ego e tê-los como meta traçada a fim de dar um sentido nessa longa jornada que temos a cumprir. Gosto dos sonhos possíveis. Nada de se prender à materialidade. 
     
     Eis que em meados de Fevereiro deste ano, nos burburinhos daqueles blogs sem muita credibilidade de informações, se deram por iniciados os primeiros rumores de que a melhor banda do mundo passaria por terras tupiniquis novamente, tendo há poucos dias atrás, a confirmação oficial de que realmente estarão aqui em novembro. Êxtase.

     O descuido impecável tem uma razão e o risco não será em vão, como em tudo na vida. Um sentimento de sintonia, preenchimento de um vazio existencial, fruto de todas as mazelas do plano físico, é totalmente excluído enquanto meus ouvidos entram na mesma vibração que as melodias do Pearl Jam. 

     A trilha sonora preferida para as madrugadas, embalo para a maioria dos meus escritos, modelo perfeito para a tradução impecável do que é sublime, lúdico e bonito. Vertentes que correspondem a cada graveto da imensa ramificação proporcionada por um som vasto, multifacetado e único.

    Quem nunca bebeu aquele vinho tinto sem lembrar do "Take a bottle, drink it down, pass it around" de Crazy Mary? Quem nunca perdeu um amor e se viu cantarolando versos de Last Kiss? Não são apenas uma das bandas mais ativistas e politicamente engajadas que temos hoje, é um conceito que transcende qualquer tentativa de definí-los com palavras-chave.

    Somados os discos criativos, a simpatia e os shows memoráveis, não é preciso dar mais detalhes dos motivos pelos quais nós fãs colocamos a banda entre as mais respeitadas do mundo na atualidade, tudo isso regado a sentimentalismo, entrega e espírito artístico latente até mesmo nos pequenos detalhes, seja na maestria do vocal de Eddie Vedder, na explosão da bateria de Cameron, nos solos mirabolantes do Mike ou na serenidade de Jeff e Stone. Todos simplesmente sobem ao palco, fazem a jam e vão embora. Sem show-bizz, sem pirotecnia.


     O fato é que estes caras de Seattle estão vindo ao Brasil em novembro e finalmente poderei fluidificar todos esses sentimentos e até mesmo o que não é exteriorizado, em uma oportunidade única de puro êxtase, realização e felicidade em sua plenitude. Até lá, uma longa espera cheia de ansiedade, mas com a certeza absoluta de que cada segundo daquela noite será compensador e marcante pro resto da vida.

Eddie Vedder cantando "Man of the hour"

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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Nada é por acaso

    


     A vida tem leis perfeitas que determinam o equilíbrio do universo. Ela criou o homem com destino à felicidade, mas determinou que esta conquista fosse feita com esforço próprio, a fim de que o homem valorizasse suas vitórias.

      Deus criou o homem simples e ignorante, mas colocou dentro de seu espírito, como uma semente, tudo quanto precisa para desenvolver sua consciência, evoluir e alcançar a felicidade.

      Tudo na vida depende do modo como você olha. Todas as situações têm vários lados. São suas crenças que vão determinar como você vai lidar com elas. Agora, as leis cósmicas são perfeitas e vão agir com a verdade, independentemente das ilusões.

      A vida nunca pune. Ela ensina do seu jeito. Sinaliza de diversas formas, tenta advertir as pessoas provocando situações nas quais ela pode perceber a verdade, mas para os resistentes, que se acomodam e não querer mudar, ela permite que colham os resultados de seus enganos para que aprendam o que já estão maduros para saber.

      Conhecer e aplicar as leis cósmicas significa ir pela inteligência e sofrer menos. Quem percebe os primeiros avisos da vida retifica seu caminho e vive melhor.

      Nos dez mandamentos estão as normas gerais, mas cada um interpreta de acordo com suas crenças. Por isso a tantas religiões, e muitos se equivocam por meio delas, enveredando pelo fanatismo. As leis universais são sábias, perfeitas. Visam o equilíbrio do universo e ao progresso do homem. Agem com amor e sabedoria.

      Observando a vida, Ela nos fala por sinais e prende-se experimentando. É preciso estar atento. Um acidente, um fato desagradável, pode ser uma advertência. Uma desilusão é a visita da verdade tentando restabelecer o equilíbrio.

      É valorizar a falta em vez de agradecer o que já tem. É viver relacionando o que falta. Aí sempre há uma passividade, em a pessoa não acreditar que merece coisa melhor ou não é capaz de progredir. A pobreza tem vários aspectos e age em cada um de acordo com suas necessidades.

      Para os acomodados, os depressivos, os que se julgam menos e até os que acreditam que ser pobre é ganhar o céu, a vida vai apertando o cerco, tornando a situação cada vez mais difícil, para provocar uma reação que as obrigue a rever suas crenças e procurar novos caminhos.

      É preciso olhar além do que parece. Há pessoas instruídas, com boa escolaridade, que não conseguem nem se sustentar, enquanto outros sem nada disso, têm uma vida melhor. Claro que a instrução é importante, mas não é tudo. O mais importante é saber aproveitar as oportunidades. Se você observar a vida de uma pessoa que obteve sucesso em todos os aspectos perceberá que ela nunca perdeu uma boa oportunidade. Nunca teve medo de ousar, de mudar e procurar aprender.

      Com vontade de progredir financeiramente uma pessoa pode fazer coisas erradas. Como avaliar?
     Ao analisar uma situação, devemos perguntar: essa atitude vai trazer beneficio para todos os envolvidos? Se a resposta for sim, pode aceitar sem medo. Caso contrário, se prejudicar alguém, não aceite.

     Certa vez, quando tive a oportunidade de ler o livro "Nada é por acaso" (Zibia Gasparetto), tudo que já fora referendado acima se traduziu perfeitamente nas entrelinhas dos perfeitos capítulos que o livro nos mostra. Da mãe estéril, um filho do coração - espécie de slogan do título. Os chamados da vida, sinais que muitas vezes se dão por inexplicáveis e as demais situações totalmente inusitadas mas que, com um pé fincado na razão e explicação espiritual nos guia da melhor maneira possível a fim de buscarmos um melhoramento intrínseco, possível e vislumbrado, são todos explanados com maestria durante toda a história, transformando o livro numa deliciosa experiência que nos dá fome de leitura.

    Que as quintas-feiras na fraternidade espírita Joanna De Ângelis continuem fluidificando o amor como referencial maior, a fim de direcionar todos aqueles que fazem parte e também os que nem imaginam do que se trata o que ali se discute, à uma plenitude de maturidade, sabedoria e consciência à luz da doutrina espírita. Além de servir como inspiração pra textos do meu querido blog. (rs) Sem esquecer, é claro, de recomendar este maravilhoso livro de Zibia Gasparetto, "Nada é por Acaso".

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terça-feira, 21 de junho de 2011

Amizade Multicolor



 Trilha sugerida para a leitura.
Sabe o que acho legal? Que podemos ficar juntos, sem obrigação efêmera de se desejar, só ouvindo Pearl Jam.
     Por falar em tico-tico no fubá, transa garantida, "amigos, amigos, sexo faz parte", relacionamento aberto, amizade colorida, admito, tenho uma amiga colorida. Multicolor, pra ser honesto. Tudo preto no branco. Bem transparente. Nada cinza. Quando um precisa do outro, chama e dá uma.

     Dá um passeio no parque em dia ensolarado, dá uma ouvida nas crises do outro, dá uma carona para fazer as compras do mês, dá uma olhada no ruído da máquina de lavar. Dá uma direção sobre a melhor oferta de trabalho, dá uma passada na locadora pra ver se chegou o último com o Johnny Depp, na padaria pra ver se tem o sonho de goiabada, dá uma opinião sobre o melhor sapato, brinco e vestido.

      Não sei como funciona a de vocês, mas a nossa é assim: vamos juntos ao show do Paralamas, sou o par na formatura da irmã, o abraço consolador no casamento da amiga, quem dorme de conchinha num dia frio, quem aquece a sala com a presença monossilábica, quem limpa as lágrimas sujas de algum babaca, quem derruba café na mesa, fuma um cigarro na janela, vai buscar absorvente, almoço e amoxilina.

     Ela é quem provoca risos com suas neuras por qualquer inseto voador. É quem primeiro lê meus textos, quem sabe que gosto de café, quem diz que a música que cantei é linda, passa na livraria e traz o clássico que paquerei na vitrine naquele fim de tarde, me dá opinião quando sei ouvir.

      Sabe o que acho legal? Que podemos ficar juntos em qualquer lugar, sem obrigação efêmera de se desejar, só ouvindo Pearl Jam como dois bons amigos. Parece mesmo maluquice conviver tanto e não transar, dar uma. Ela é sexy feito a Angelina Jolie e eu inteligente, engraçado e humilde tal o Woody Allen. Perfeito.

      Quem sabe a gente tente um dia, com paralela segurança de entrar um no outro sem espernear pra ficar lá dentro pra sempre, se depois nenhum inquietar-se em não sentir o cheiro por dez dias, se ninguém ficar entre o "ligo-não-ligo", se isso não virar uma amizade dolorida. Pra dar uma de verdade, há outras opções, é verdade. Amizades incolores, por exemplo. Mas dessa vez eu quero fugir à regra.


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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Para outro lugar

  
"A arrogância do coração é atributo dos homens de bem; a arrogância de modos é atributo dos imbecis. "
( Charles Pinot Duclos ) 


    Foram minutos discutindo sobre um amor do qual não quero mais fazer parte, com a doce intenção de sepultar um mal-estar desnecessário. Suas palavras, mesmo em alto e bom português, parecem não mais falar minha língua. Eu poderia muito bem gritar igualmente, se você não estivesse tão cega. Tenho um segredo pra lhe contar: seus heróis também têm defeitos, todos eles escondidos atrás do sorriso no comercial de TV a cabo.

     O ferimento em si não dói e nem doeu tanto quanto ver sua intenção em me ferir. Palavras tão pequenas de quem parece não ter mais nada a perder, somente um fadário de coisas a dizer, sempre antes de pensar. Que dissabor.

     Percebo que não importa mais onde eu esteja, preso num quartinho sem idéias ou caminhando livre na chuva, já não adianta sonhar, se em todo amanhecer preciso olhar no espelho e dizer para mim mesmo que aqui é o lugar.

     Todos os seus gritos me deixam com a impressão de que estou sempre atrasado, ou pior, que já estive nessa por tempo demais. Vou acabar ficando rouco diante de discursos formais, de tanta diplomacia, que dirá quando a solidão se manifesta tão necessária.

     A partir de hoje, só o que for muito, muito leve, bonito e fácil. A grande maioria desiste. Eu, só estou abrindo mão. Concordo contigo, também aconteceu comigo: o meu coração partiu. Para outro lugar.
                             -

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Vai um café?


    
Um dos produtos brasileiros por excelência, o café é parte chave de nossa história, de nossa economia e do nosso dia-a-dia.

    Já me vem sendo de costume todas as noites, apreciar o bom e velho cafezinho. Seja o descafeinado - aquele que conseguimos ver o fundo da xícara -, o expresso tradicional ou o capuccino, que pode ser daqueles industrializados, que vêm enlatados e perdem feio para aqueles que algumas cafeterias preparam, com todo um sabor cremoso que lhes são únicos.

    Fui criado rodeado de pessoas viciadas em café e nunca entendi muito bem o motivo para o sagrado café da noite. Era tão indiferente àquilo que hoje me surpreendo quando me pego tomando o mesmo café sagrado da noite. Não sei, às vezes só o amadurecimento nos remete a um poder de percepção mais aguçado, que nos permite mergulhar nas sensações a fim de compreendermos a essência dos pequenos gestos. Tomar café é um deles.

    Café este que é genuinamente brasileiro. Quem não se lembra daquela aula de história, quando o professor batia tanto na tecla no café no interior de São Paulo? Um dos produtos brasileiros por excelência, o café é parte chave de nossa história, de nossa economia e do nosso dia-a-dia.

    Tomamos café em casa, na padaria, na cafeteria, no trabalho e na casa dos outros; no café da manhã, depois do almoço e no lanche. Para alguns, como eu, é motivo de orgulho; para outros é puramente corriqueiro.

    Sinto falta da valorização do nosso café. É brasileiro por excelência mas ainda assim consegue se render ao way of life americano. Tenha dó. Brasileiros são bobos. Todos, em especial os endinheirados, pois não tem bobo maior que aquele que se acha esperto. Uma das provas de como somos bobos é nossa necessidade de validação no âmbito internacional, exemplos abundam: se fizermos um intercâmbio, temos mais chances de conseguir um emprego em uma grande empresa; se estudamos em uma faculdade estrangeira, todos se impressionam; todo ano achamos que vamos levar o Oscar de filme estrangeiro; se um músico nacional toca no Central Park, só pode ser porque ele é muito bom, certo? Hmm, mais ou menos.

     Claro que há entidades das mais diferentes esferas que, independente de nações, têm uma qualidade ímpar e servem de parâmetro por merecimento. Mas fama não é sinônimo de qualidade. E é nesse ponto que chego ao tal de Starbucks.

    Não que a qualidade do café chegue a ser ruim, mas é evidente a afronta que o Starbucks provoca num país que orgulha-se do papel do café na própria cultura. Não existe uma tradição nacional - por cultura - de hambúrgueres, assim sendo, podem vir quantos Burger King's couberem. 

    Existem produtos nacionais dos quais devemos nos orgulhar, e cada um de nós, querendo ou não, nos encontramos em um deles. Nunca fui ufanista, mas sempre gostei do café. Esse é o meu time. Mas depois de tomar conhecimento de fato sobre como funciona a loja, confesso que esteja um pouco aliviado, considerando a mediocridade do produto, combinado com o preço (salgado) praticado. Me parece que se o Starbucks realmente colar, será por causa dos mais bobos, aqueles que têm dinheiro e acham que são espertos.

    Vai um café? (C)


sábado, 14 de maio de 2011

Pessoa certa


Assim como na TV, existem milhares de pessoas certas, não se engane, ainda chegarás ao infortúnio de encontrar a sua.
    Sabe quando mulher diz o oposto do que quer? Era só eu dar um apertão mais afincado naquela parte interna da coxa pra ela me sair com aquela clássica. Não vai escrever sobre isso, hein? Hein? Hein? Vai, né? Eu sei que vai. Não vou, pessoa certa.
    O "não vou", eu pensava enquanto meu sorriso amarelecia concordante, com o indicador e o polegar naquele movimentinho tipo "saquei a piada". Escritor, nós aqui, pessoa certa, apertão na virilha, escrever sobre isso. Saquei, saquei. Rá-rá. Ai, ai, pois é. Não, não vou. Coisa chata.

     Eu havia certamente encontrado a pessoa certa depois de me debater durante uns três invernos e uns dois verões. Como eu sabia? Eu não tinha a menor vontade de escrever sobre. Pessoa certa, quilos a mais, textos a menos. A fórmula que sempre acreditei. Meu indicador de felicidade interna bruta. Coisa chata.

     Não tinha erro, era a pessoa certa. Quando dava dez da noite, o telefone tocava de modo que já era costumaz. Voz doce e paciente. Não tinha erro. Pessoa tão certa que nem parecia uma mulher, era uma nora já feita. Bem resolvida, bem sucedida, de bem com o corpo, com a mente e com a vida, mantinha o ciúme, as angústias, os fricotes em cativeiro. Sabe gente que de tão perfeita chega a ser chata? Assim, geometricamente paradoxal mesmo. A pessoa certa pra mim e pra vender adoçante na TV. Essa última frase eu disse uma vez e prometi também não publicar.

     E quando resolveu me dar? Na condição de que eu não escrevesse sobre o fato uma vez consumado. Por quê? O que vai rolar fora de lugar? Nada, ué. Só sexo. Aquela coisa, torce, retorce, rola daqui, pega dali, conchinha pra um lado, um minuto, conchinha pro outro, outro minuto, por cima, por baixo. Nem um tapa na cara solto durante o sexo, um pronome depreciativo. Tipo "Seu puto desgraçado, gosta de me traçar, né?" Que isso, pessoa certa?  Educada por irmãs carmelitas, o que vão pensar? Deixa esses jargões do cais pra suas negas, meu bem. Até "negas" ela me deixaria ter. Perfeita. Coisa chata.

     Nem um errinho de nada. Então escrever sobre o quê, criatura de deus? Me diz. Como escrever sem vírgulas ou pontos de interrogação? Me diz. Nem um ódiozinho? Sim. Mas não aquele de cor avermelhada, que dá pano pra manga. Apimenta textos e a relação. Um ódio transparente, franco, sincero. Não uma máscara de uma infindável fonte de amor, sexo e minúcias sórdidas. Ódio mesmo. Uma raiva. Como levantar segunda-feira, sabe? Perto dela, toda hora era o despertar de uma segunda-feira. Dá uma bitoquinha aqui. Mas não escreve sobre isso, tá? Não vou, mulher, não vou!

     Estamos sempre atrás da pessoa certa, aquela de novela das oito, loucos pra tomar água-de-côco com vista pro mar. Assim como na TV, existem milhares de pessoas certas, não se engane, ainda chegarás ao infortúnio de encontrar a sua. Prepare-se para dias de absoluto fastio. O signo certo. Fala as coisas certas. Com as atitudes certas. Usa pijama pra dormir, come frango à passarinho de garfo e faca, não pula carnaval, gosta de Cecília Meirelles e fala "belíssimo" e nunca "horrores". Tudo no lugar, dentro do contexto.

     E o pior: a pessoa certa sempre chega na hora certa, sabe que é a pessoa certa, encaixa em nossos planos e traz consigo toda aquela felicidade que chega pra ficar. Principalmente quando achamos que é daquilo tudo que precisamos. Mas o mundo é incerto e estranhamente a pessoa errada sempre funciona melhor. Pra todo mundo é assim, o que dirá pra quem vive de histórias.